Anjinho barroco, tu que beiras este ventre amado
Concede-me o dom de sentir-te aqui do lado,
Seja um grito, um asobio ou um ponta-pé
Chuta-me com força, tal qual minha fé
Enquanto ouso, aqui, de ti rabiscar
O amor por ti me leva, de novo, a rimar
Não como poeta ou velho trovador
Sou mais um pai pateta que declara seu amor
E tu que cresces nesse ventre
Venha a nós, neste reino
E nos faça tão contentes
Quando, então, crescerdes e tuas asas arrancar
Mostra-me que aprendestes
No rabisco, tuas asas recriar
A cada chute aumenta a alegria em dois
E no teu silêncio diz: Benção, papai...
E eu respondo: Deus te abençoe!
(Robson Nunes)

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